Casa Fedrigoni abre suas portas durante a FLIP 2018 para transformar três toneladas de papel em arte

Experiências gráficas em papéis de alta qualidade definem a programação, que promove interações, conteúdos, oficinas e apresentações culturais.

A Casa Fedrigoni – www.casafedrigoni.com.br – estará de portas abertas durante a 16ª FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, de 25 a 29 de julho. O espaço é inteiramente dedicado ao universo do papel e à cultura gráfica – experiências, técnicas, linguagens, artes e design. Está localizada na Av. Otávio Gama (Beira Rio), 142, a menos de 100 metros da Tenda dos Autores, principal palco do evento.

Mais de três toneladas de papel serão transformadas em criatividade com a participação direta do público visitante, por meio de serigrafia, tipografia, gravura, caligrafia, corte e dobra, encadernação, engenharia de papel, colagem, estêncil, caricatura, pintura, desenho e outras linguagens.

Sob curadoria de Ric Peruchi e Estela Vilela, oficinas, minicursos e interações; debates e reflexões sobre a materialidade do livro e o mundo gráfico; exposições de livros de artista, capas e telas; performances e apresentações musicais compõem mais de 90 horas de programação. O acesso a todas as atividades é inteiramente gratuito.

A casa parceira oficial da FLIP é uma iniciativa da Fedrigoni, maior fabricante global de papéis especiais, em parceria com a ABER – Associação Brasileira de Encadernação e Restauro e o IED – Instituto Europeu de Design. 50 profissionais estão diretamente envolvidos na realização do projeto.

 

Confira alguns destaques:

 

Abertura ritmada

A roda de Jongo inaugura as atrações com a abertura dos portões às 15h da quarta-feira, 25 de julho, embalando a chegada dos visitantes à cidade-palco de um dos mais importantes eventos literários do mundo.

Expressão cultural sincretizada a partir das raízes africanas dos escravos, seus descendentes e sua tradição oral, o Jongo é uma união de ritual, dança e música, com palmas, cantos (pontos) e tambores.

As mulheres e crianças moradoras do Quilombo do Campinho protagonizam a apresentação de boas vindas, enquanto o artista visual Fabio Marqui, ituense radicado em Paraty, fará o registro ao vivo dos movimentos.

 

Experiências gráficas

As tardes de quinta a sábado são dedicadas às experiências gráficas. Cada um poderá produzir seu próprio livro e levá-lo para casa. Os participantes terão a oportunidade de interagir com os criadores e experimentar algumas técnicas com papel e tinta em mãos.

Caligrafia, tipografia e colagem estão entre as possibilidades oferecidas livremente em um Itinerário Gráfico, que pode ser percorrido aleatoriamente. Se desejar, o visitante pode concluir o trajeto realizando a encadernação das obras produzidas aprendendo a técnica concertina australiana, que forma um volume sem o uso de cola, grampo ou costura.

O visitante poderá vivenciar a experiência de imprimir serigrafias, com a supervisão técnica de Ricardo Sutto, um dos mestres desse ofício. Cada dia haverá a matriz de uma obra diferente. Bueno, conhecido pelas séries Leitores e Pelé beijoqueiro, é um dos artistas convidados.

 

Jam visual

Quando a noite chega, os artistas visuais Fabio Marqui e Junior Lopes armam seus cavaletes para registrar em pintura e desenho os olhares, movimentos, gestos, atos e desacatos dos habitantes da Casa.

As obras vão sendo expostas ainda com tinta fresca em um varal. Um cavalete estará à espera de quem se atreva a romper o branco do papel. É chegar. Criar. E pendurar no varal.

 

Residência criativa

Onze criativos residentes são convidados da Casa Fedrigoni durante a FLIP para interações com o público e produção de trabalhos. O grupo reúne nomes de diferentes áreas, como o artista visual Carlos Matuck, o mestre tipógrafo Claudio Rocha e a equipe da Oficina Tipográfica São Paulo, o artista gráfico André Hellmeister, o pesquisador de imagens, fotógrafo e cineasta Marcelo Masagão, o artesão Luiz Masse, o ilustrador Junior Lopes, o calígrafo Frederico Dietzsch, o cenógrafo e galerista Miguel Paladino, o serígrafo Ricardo Sutto, a designer May Tanferri e o coletivo de encadernação Desdobras Raras, além de designers do IED.

 

Livros de artista e intervenções

A Casa apresenta três exposições distintas, que estão abertas ao público das 13h às 18h. “Livros de artista, uma antologia” reúne obras de 18 dos mais expressivos nomes que se dedicam ao formato, como Edith Derdyk, Giselle Beiguelman, Lucia Mindlin Loeb, Rubens Matuck, Claudia Jaguaribe, Arturo Perez Gamero, André Parente, Alberto Martins, Rosa Esteves, Aline van Langendonck, Feres Khouri, Luise Weiss, Matheus Rocha Pitta e Thiago Honório, entre outros.

Vale destaque para o livro papiro “Homens brancos”, de Marcelo Masagão que, além de cineasta e curador do Festival do Minuto, lança seu oitavo livro de artista. A obra é composta de uma enorme panorâmica de 7 m x 18 cm, resultado da edição de 23 aquarelas de Debret, ressignificadas. Seus projetos artísticos em pequenas tiragens unem pesquisa de imagens, narrativas visuais, impressão fine art e trabalhos em marcenaria.

A partir do livro exibido na casa, Masagão criou uma intervenção urbana. A instalação é composta por 15 aquarelas de Debret, interpretadas pelo artista visual. As imagens impressas em grande formato podem ser vistas nas janelas da Casa Fedrigoni e de 10 outras edificações do centro histórico de Paraty durante a FLIP, a partir da quinta-feira.

 

Capas e telas

As capas criadas por Massao Ohno, principal editor a colaborar com Hilda Hilst, autora homenageada na 16ª FLIP, ganham destaque na exposição “Hilda por Massao”, com obras raras e o excepcional trabalho de artes gráficas realizado pelo “Samurai das sombras da poesia brasileira”.

“Residentes & Nômades” celebra o talento de Claudio Rocha, André Hellmeister, Carlos Matuck e Frederico Dietzsch, que aproveitam para homenagear o artista gráfico e mestre da colagem Tide Hellmeister.

 

Performance

A arte da performance ganha espaço privilegiado com apresentações diárias do projeto “Empatia”, criado pela designer May Tanferri. Ela produz ao vivo gravuras diretamente a partir de sua pele, regenerada após os traumas da grave queimadura que sofreu.

Fyodor Pavlov-Andreevich, artista visual, curador e diretor de museu russo-brasileiro, senta-se à mesa com um convidado e desenvolve um diálogo como ato performativo. O público controla quem fala e quando fala. A performance “Um botão pequeno” (The small button) terá entre os convidados a atriz Iara Jamra.

 

Teatro e cinema

A partir do livro homônimo de Hilda Hilst renegado por vários editores antes de ser finalmente publicado por Massao Ohno, a atriz mineira Glauce Guima apresenta o monólogo “O caderno rosa de Lori Lamby”, que tem direção de Ana Hadad.

Será exibido o documentário “Impressão Minha” (Peripécia Filmes e Avocado Edições), com roteiro e direção Daniel Salaroli, Gabriela Leite e João Rabello e fotografia de Raoni Maddalena. O filme investiga a crescente cena de publicações independentes, para tratar do papel do impresso nos tempos atuais e seu sentido em um mundo dominado pelas telas.

 

Música e cultura paratiense

O grupo musical “Cirandeiros de Paraty”, composto por jovens da cidade, convida e homenageia os mestres Maneco e Julinho. Trata-se de expressão caiçara transmitida de geração em geração, que se configura como uma fusão de estilos, incorporando elementos europeus, indígenas, africanos e até árabes.

No domingo, marca o encerramento da programação uma “Conversa de Pescadores” conduzida por Almir Tã com outros mestres caiçaras de Paraty. Eles revelam seus saberes e fazeres na pesca, na trama das redes e na construção de canoas, além de saborosos contos do mar.

 

Oficinas & Minicursos

Nas manhãs de 26, 27 e 28 de julho, das 10h às 12h, serão realizadas oficinas para crianças e adultos, que incluem técnicas de encadernação, livros animados, linguagens visuais e design. Às tardes dos mesmos dias, das 15h às 17h, serão ministrados minicursos de história do livro, curadoria e produção gráfica. As atividades são gratuitas, com vagas limitadas. As inscrições devem ser feitas antecipadamente pelo site casafedrigoni.com.br.

 

Conversas com convidados ilustres

Quinze sessões de diálogos sobre os mais diversos temas serão apresentados ao público durante a FLIP na Casa Fedrigoni. Entre os convidados estão o quadrinista, pintor e animador Rafael Coutinho; o editor André Conti; a educadora Júlia Porto; a fotógrafa Marina Klink; Carlos Ziebel e Giselle Beiguelman, professores da FAU-USP; Maria Helena Pereira da Silva, da Azeviche Design, além de coordenadora de design editorial do IED Rio; a curadora Rosely Nakagawa; o artista visual Rubens Matuck; o produtor gráfico Walter Moreira; Manoel Manteigas de Oliveira, diretor técnico da Two Sides, organização global que promove a produção e o uso sustentáveis do papel; e Victor Falasca Megido, diretor-geral do Instituto Europeu de Design no Brasil.

 

Identidade Visual e Direção de Arte

A identidade visual da Casa Fedrigoni foi criada pelo designer multipremiado Marcelo Lopes, da Merchan-Design. Ele apresenta peças impressas inusitadas, que incluem convite-interativo, programa-parabólica e a sinalização iconográfica dos espaços. Uma profusão de cores, uma para cada dia de programação, e as formas geométricas dão o tom. Todos os trabalhos estão sendo rodas com facas especiais pela Oficina Gráfica Yeprint.

O consagrado Miguel Paladino, curador da La Mínima Galeria, assina a direção de arte da Casa, que inclui os projetos de cenografia e expografia. A partir de soluções simples e inventivas, ele apostou no reaproveitamento de materiais. Utiliza como base o cubo, com suas diversas faces, compondo desde suportes expositivos, passando pelo backdrop, até displays de produtos.

 

Paper Point e Lojinha

A Fedrigoni cria uma versão temporária de seu espaço de show room, o Paper Point, que apresenta a vasta linha de papéis especiais e os projetos apoiados pela marca. Para quem quiser levar um souvenir da FLIP, a Casa traz uma lojinha com diversos itens.

A VSP traz os papéis Fedrigoni e sua linha customizada. Entre os destaques, estão as encadernações Desdobras Raras, criações do Ateliê Luiz Masse, a linha exclusiva de camisetas da Pano da Sorte e os itens da Papelye, incluindo os cadernos assinados pelo designer Marcelo Lopes.

 

Hilda gráfica

Os fãs de Hilda Hilst vão se surpreender com a caixa objeto-poético “Seis aquarelas e seus poemas”, além de pôsteres e outros itens temáticos da autora. Tudo em tiragem limitada – uma parceria Casa Fedrigoni, Papelye e Instituto Hilda Hilst.

 

Correalizadores:

 

Fedrigoni

A Fedrigoni é a líder global em papéis especiais. Foi fundada em 1888 em Verona. Atualmente seu catálogo de produtos inclui mais de 13.000 itens. É responsável por linhas como Color Plus, Markatto, Pergamenata, Vergê Plus e Color Fluo. Fabrica ainda papéis de segurança, incluindo papel-moeda, base para cédulas do Euro e do Real.

A empresa é detentora da marca Fabriano, fundada no século XIII na cidade italiana de mesmo nome. Essa longa e nobre história pode ser reconhecida nas cartas de Michelangelo Buonarroti, nos livros impressos por Giambattista Bodoni, nas partituras musicais de Ludwig van Beethoven e em obras de Geórgia O’Keeffe, Francis Bacon e Bruno Munari.

A Fedrigoni Brasil Papéis mantém uma fábrica em Salto, interior de São Paulo, com 98 mil m2. As instalações preservam a arquitetura e o cenário presentes na edificação do século XIX. Em 1978, a empresa iniciou a fabricação do papel-moeda no país – tornando-se a única produtora de papel para cédulas na América Latina. A unidade brasileira exporta para mais de 130 países.

 

IED

O IED – Instituto Europeu de Design é uma instituição de educação internacional voltada à formação e práticas profissionais nos mais variados campos do design e da gestão de negócios criativos. Conta atualmente com 11 sedes na Itália, na Espanha e no Brasil.

Desde sua inauguração, em 1966, o IED se apresenta como um centro de propostas fortemente inovadoras, com um modelo educacional pragmático e culturalmente rico, apoiado na síntese do pensamento do seu fundador Francesco Morelli: “Saber e saber fazer”. Em constante aprimoramento, como um beta permanente, está em sintonia com as transformações locais e globais.

Nova Economia, Sustentabilidade, Serviços e Tecnologia estão entre os principais eixos-estruturantes dos percursos formativos oferecidos pelo IED, que têm como base a cultura do projeto amparada na experiência do “Made in Italy”.

No IED Brasil, essa tradição estabelece diálogo com a busca contemporânea por um Design Tropical capaz de contribuir efetivamente para o desenvolvimento social, econômico e humano nas realidades onde atua.

Em todo o país, por meio do Cried, seu centro de centro de inteligência, inovação, pesquisas avançadas e desenvolvimento, a instituição realiza projetos de pesquisa, formação e consultoria voltados à inovação, sempre sob o prisma do design estratégico.

Na faculdade em São Paulo e na escola no Rio, o IED difunde, promove e ensina o design como visão de mundo, abordagem e atuação profissional. Tornar o design acessível às comunidades e organizações significa conectar pessoas às suas paixões, permitindo que encontrem significado no que fazem. O IED prepara pessoas transformadoras para cenários em transformação.

 

ABER

A ABER – Associação Brasileira de Encadernação e Restauro tem como objetivo o fomento e o intercâmbio de conhecimentos nos campos da encadernação, conservação e restauração de livros, acervos bibliográficos e documentais, assim como o incentivo à formação profissional qualificada e a prática da encadernação artística.

A entidade sem fins lucrativos foi fundada em 1988, em São Paulo, por um grupo pioneiro de encadernadores e restauradores, que incluiu alguns dos principais defensores desses ofícios, como Thereza Brandão Teixeira, Guita Mindlin, Marisa Garcia de Souza, Luís Otávio Louro Gomes e Márcia Toledo.

Como decorrência de sua visão multidisciplinar, incorporou às suas atividades o estudo, a pesquisa e a divulgação das produções editoriais e de obras poéticas visuais sob o conceito de livro de artista, além de atividades educativas junto a instituições de ensino superior, escolas e eventos culturais, a exemplo da FLIP.

Em conjunto com outras instituições, a ABER elaborou o Código de Ética do conservador-restaurador e participou das discussões relativas ao projeto de lei que prevê o reconhecimento dessa profissão.

Em seus 30 anos, a ABER promoveu mais de 600 cursos, palestras, seminários e oficinas, com especialistas renomados do país e do exterior, totalizando cerca de 40 mil horas-aula para mais de cinco mil alunos.

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